quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Yes, we can !

A comunicação é uma via de mão dupla em qualquer processo eleitoral. O bom uso pode trazer os resultados almejados e surpresas agradáveis, enquanto uma comunicação falha ou equivocada pode levar a um processo desastroso. Barack Obama fez um uso brilhante da comunicação desde a vitória nas prévias da Convenção Democrata até o clímax da vitória nas eleições americanas, que consagrou sua campanha e carreira política ao tornar-se o primeiro presidente negro da história dos EUA.

Um grande trunfo de Obama foi a sua biografia, que através de uma comunicação apropriada conseguiu estender seu eleitorado. Obama é pertencente a uma minoria racial, filho de pai africano e mãe branca, viveu parte da infância na pobre Indonésia. Ainda assim, formou-se em Direito com distinção em Harvard e ainda jovem venceu duas eleições legislativas, escreveu dois excelentes livros autobiográficos e conquistou fama de brilhante orador. Obama venceu nas primárias do Partido Democrata, ninguém menos que a senadora pelo importante estado de Nova York Hillary Clinton - considerada um mito entre as feministas americanas e esposa do ex-presidente Bill Clinton. Obama comunicou com sua biografia que é um representante de todos, das minorias excluídas as mais refinadas elites intelectuais americana. Obama comunicou superação, independência e representatividade.

Barack Obama não só fez bom uso da comunicação, ele usou com maestria e virou a desvantagem nas pesquisas de opinião que antecederam a Convenção Democrata ano passado. Ele enfrentou grandes nomes do partido, venceu o preconceito, o anonimato e se tornou um símbolo de mudança. Comunicou modernidade e ganhou os jovens, comunicou consistência nas propostas e ganhou os aposentados, comunicou esperança e ganhou o eleitorado amedrontado com a crise econômica. Ele garantiu que seu discurso chegasse ao receptor e assim fechasse o círculo da comunicação. E mais do que isso, ele fez com carisma e oratória articulada e envolvente.

Toda a comunicação de Obama dava a seus receptores senso de pertencimento nas mudanças. Com o slogam "Yes, we Can!", ele enfatizou o coletivo, envolveu as pessoas, chamou-as para a política, motivou-as com a mudança, criou sinergia e atingiu em cheio as expectativas do eleitorado para o novo presidente americano.

Enfim, Obama é um experiente articulador e soube como usar e tirar todo o proveito de uma comunicação apropriada em qualquer processo. Sua trajetória até aqui foi um exemplo de comunicação bem sucedida entre emissor e receptor, em todo o tempo, ele demonstrou consciência e maturidade em relação a isso. Virou unanimidade, venceu as eleições e agora terá que comunicar "o caminho íngreme a percorrer" pelos EUA neste cenário de crise e administrar a alta expectativa gerada na sociedade.

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